9 de mar de 2010


Quando Carlos Cunha e seus companheiros: Mauro, Alaíde. Índio, Renê, Chico, Janete e outros mais criaram a ABS, o fizeram para defender a Ponta do Sambaqui de interesses empresariais e para manter o mais antigo prédio da localidade, o casarão que abrigou o Posto da Alfândega, como patrimônio da comunidade.

Foi uma luta séria e aguerrida, ainda hoje lembrada em ânimos exaltados por aqueles que dela participaram, jovens e senhoras que são os mais autênticos representantes desta antiga colônia de pescadores.

A voz de uma comunidade não se ouve apenas pelos rádios e pelas TVs, nem sempre se as lê nos jornais, ou nos blogs da internet. A voz de uma comunidade geralmente se expressa nos locais de encontro dos comunitários: barracas de feira-livre, bares, esquinas, pontos de ônibus, mercados e nos sombreados das árvores, como as que esses pioneiros da ABS plantaram na Praça Macário da Rocha, o saudoso Tio Macário.

Mas, principalmente, a voz da comunidade se expressa em meio aos eventos culturais, como na anual Gincaponta, produzida pelos esforços de nossos jovens, crianças e tradicionais lideranças. Para a Gincaponta sempre sobram promessas de apoio do poder público, mas escasseiam os cumprimentos daqueles que só mostram o corpinho nos palanques que armamos.

Ainda assim é nessas ocasiões que, como chamador do boi-de-mamão, Carlos Cunha cumpre com a função típica de líderes de folguedos populares. Seja ao velho Matraca dos pastoris pernambucanos, ao puxador do enredo dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, ao tocador da viola de cocho do cururu no centro-oeste, ao capitão do Boi-Bumbá amazônico, ao mestre de capoeira da Bahia, ou ao trovador das toadas gauchas; quem quiser de fato se comunicar com as comunidades brasileiras, que o faça através dessas vozes.

Aqui no Sambaqui, o nome da nossa voz é o do chamador do Boi de Mamão, o popular Carlinhos. Descendente de um de nossos ícones históricos, Seu Pepeco, e militante dos interesses da comunidade, Carlos Cunha sem dúvida é nosso porta-voz por direito concedido e dever assumido.



Fone: (48) 3335-0047


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